Edésio Adorno
Tangará da Serra

Foto: Reprodução/WhatsApp

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Débora Brito, 28 anos, moradora do Jardim dos Ipês, em Tangará da Serra, morreu hoje no Hospital Municipal, onde fazia tratamento contra a covid-19. Devido ao agravamento do quadro clinico da moça, ela precisou ser sedada e intubada.

Depois de retirada a sedação, os médicos perceberam que a jovem senhora já estava sem vida.

A causa da morte, obviamente que foi atribuída a complicações da covid-19. Nossa reportagem chegou essa informação com um tarimbado médico, que aceitou falar sobre o caso, desde que seu nome fosse preservado.

Debora deu entrada na URA para se tratar de covid-19, mas sua morte pode ter sido causada por uma grave lesão cerebral, que sequer teria sido diagnosticada. “É muito comum a covid-19 causar complicação neurológica, como coágulos no cérebro, isquemia cerebral, arritmia cardíaca ou outra descompensação, como alteração na pressão arterial e frequência cardíaca”, pontua o médico

“O paciente sedado precisa ter sua pressão arterial e pupila sob constante observação. Em se tratando de paciente covid-19 esses cuidados são ainda mais necessários porque é muito comum essa doença causar complicação neurológica”.

Nossa reportagem apurou que Débora permaneceu internada durante 10 dias, sendo 7 dias entubada em leito de UTI. Retiraram a sedação da mulher e ela não acordou. Nesse caso, ensina o especialista, é obrigatório realizar investigação para ver se teve lesão cerebral e o grau dessa lesão. Não é possível saber se Debora foi submetida a exame apropriado.

“Possivelmente ela morreu de uma lesão cerebral como complicação do covid-19”, sugere o médico

Ainda de acordo com o médico, é provável que tenha sido essa a situação da moça. Ela teria sofrido forte lesão cerebral e os responsáveis pela UTI não perceberam, não diagnosticaram o quadro grave de saúde dela. É mais fácil dizer que evoluiu para o óbito em razão de complicações da covid-19.

Como em casos de morte com suspeita de covid-19 não se faz necropsia, a resposta vai depender de exumação do corpo. Claro, caso haja interesse em esclarecer as causas da morte de Debora Brito, que deixa um filh de 8 anos.

Morte previsível  

Nossa reportagem já denunciou que a empresa Medicar Emergências Médicas Campinas Ltda, contratada pela prefeitura, em novembro de 2020, pelo valor de R$ 5.231.305,32, para gerir a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e leitos clínicos de enfermaria exclusivos para covid-19, não disponibilizou especialistas e sequer tem Responsável Técnico (RT).

Falta quadro humano qualificado para prestar os serviços médicos que a população precisa.

Ora, o médico que não sabe diagnosticar uma pessoa com lesão cerebral, derrame, hemorragia ou isquemia no cérebro, definitivamente não pode atuar em UTI. A Medicar teria contratado clínicos em inicio de carreira, sem experiência com UTI e sem especialidade. Vidas continuam sob risco!

O corpo médico que atua em UTI deve ser formado por especialistas, porque cuida de pacientes graves, que facilmente descompensam e se não receber a atenção devida morrem. Isso significa que de uma hora para outra podem sofrer uma arritmia cardíaca, pressão arterial pode subir, assim como a frequência do coração.

Enfim, o paciente de UTI pode ter uma parada cardíaca e se o profissional que lá atua não sabe diagnosticar essa situação é morte na certa.

O fiscal do contrato entre a Medicar e a prefeitura já fez seguidas denuncias contra a empresa nos órgãos de controle externo.

Até agora, segundo se sabe, nenhuma providência foi tomada. Depois da morte em situação suspeita dessa moça, o que se espera é investigação ampla, rigorosa e transparente.