Por Eunice Ramos, TV Centro América

Chacororé é uma enorme baía regulada pelo pulso das águas no meio do Pantanal. Ela funciona como um berçário natural dos peixes.

Em nota, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente informou que ainda não foi notificada sobre a ação. Mas que afirmou que já foi elaborado um planejamento de ações a curto, médio, e longo prazo para garantir que a baía possa ter o seu nível de água e a biodiversidade preservados. Isso inclui obras emergenciais de desobstrução dos corixos e de outras passagens de água.

Estudos indicam que em setembro de 2016, a baía apresentava uma área coberta de água equivalente a 6.271 hectares. Em novembro de 2020, a área inundada caiu para 2.566 hectares.

A doutora em ecologia Carolina Joana da Silva conta que os animais que vivem na região já estão acostumados com o ambiente e que quando o ser humano intervém na dinâmica da água, pode afetar toda a biodiversidade.

“A água que faz ter essa dinâmica e os peixes, as aves, os jacarés e a onça pintada estão adaptados com essa vida e com essa dinâmica das águas. Quando nós interferimos nessa dinâmica, seja diminuindo a extensão ou a altura dessas águas, nós estamos afetando toda a biodiversidade do Pantanal”, afirma.

Os mapas mostram o tamanho do problema. A baía é mantida por uma rede de drenagem formada por 14 rios e córregos. O problema é que a maioria desses caminhos sofreu intervenção ao longo dos anos.

Em um local havia uma conexão natural entre o rio Cuiabá e a baía de Chcaroré, mas com a construção de uma estrada, as manilhas reduziram o espaço de passagem da água.

Num período de seca extrema, a situação se complica ainda mais. Do outro lado da estrada, onde deveria ter água, tem mato.

“Aqui significa que a vazão do corixo, da forma como foi feita não permite a vazão da água e o mato fica crescendo impedindo ainda mais a chegada da água no Chacororé”, afirma.

A moradora e empresária Alice Nascimento denuncia outra obra com problemas que interferem na baía de Chacororé, o asfaltamento da MT-040. Uma foto antiga mostra que havia uma ponte que facilitava a passagem da água. Hoje, manilhas pequenas restringem a passagem da água.

“Aqui era chamado de aquário natural porque tinham muitos peixes, tinha jacaré e os moradores de Cuiabá paravam aqui para pescar, mas desapareceu. Nós temos água podre do lado de lá e do lado de cá não tem vida”, afirma.

Todos esses problemas foram apontados em uma perícia ambiental pedida pelo Ministério Público. Os promotores querem que seja cumprida a legislação de proteção ao meio ambiente e que a Secretaria de Infraestrutura realize as obras necessárias para a desobstrução dos canais que levam água até a baía.

O promotor de justiça Joelson Campos Maciel diz que é importante também uma autorização judicial para uma vistoria nas fazendas da região.

“Para a autuação e tomada de providências nas propriedades particulares onde há a obstrução das passagens da água. Para que o estado possa entrar nas propriedades particulares, autuar e fazer a ação dele”, afirma.

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