Jhennifer Vitória de Oliveira Pereira foi diagnosticada com refluxo oculto patológico grave e alergia a proteína do leite da vaca — Foto: Arquivo pessoal

Por G1 MT

A mãe Elk dias de Oliveira Pereira, de 28 anos, conta que Jhennifer nasceu pré-matura, aos 34 semanas de gestação, e aos dois dias de vida começou a engasgar com o leite materno. Ela foi socorrida ainda na UTI neonatal onde estava internada. Depois que foi para casa, continuava engasgando com o leite e com 15 dias de vida, teve uma parada cardiorrespiratória por ter broncoaspirado o leite.

Naquele momento, Jhennifer teve uma infecção bacteriana tardia e ficou quatro meses internada na UTI. Durante esse período, o estado de saúde dela só piorava e através de um exame saiu o diagnóstico de refluxo oculto patológico grave e alergia à proteína do leite da vaca.

E o estado dela continuou piorando porque ela também tinha alergia a ovo, soja e milho. Para se alimentar, Jhennifer usa uma sonda e toma um leite especial que custa R$ 230 a lata e é recomendado pelos médicos que ela tome duas latas a cada dois dias.

A família entrou com um processo para que o SUS forneça os produtos e depois de quatro meses conseguiram 15 latas. Uma advogada de Cuiabá se sensibilizou com a história, pegou a causa e conseguiram leite para três meses, totalizando 75 latas, fraldas e a medicação que ela precisa.

Atualmente, Elk aguarda novamente o desfecho do processo para conseguir os recursos que a filha precisa. Enquanto isso, criou uma vaquinha online para conseguir comprar o leite e suplementos para alimentar a filha. Além disso, várias pessoas estão fazendo doações para ajudar na arrecadação.

De acordo com a professora Leda Alves, que defende a conscientização da alergia alimentar, existe uma lei federal que garante o leite especial para as crianças que dependem do recursos, mas que em Mato Grosso ainda não regulamentada.

“Existe uma lei federal porém sem implementação no estado, então por isso a judicialização. Nosso sonho hoje é ter um centro de atendimento multidisciplinar pelo SUS para a implementação de protocolo de dispensação dessas fórmulas”, afirma.

Além disso, ela explica que essas crianças precisam de acompanhamento nutricional e algumas chegam a estágios críticos sem esses recursos.

“Precisam de acompanhamento nutricional e não tem nutricionista e, quando tem, não entendem de alergia alimentar. Algumas crianças alcançam estágios críticos que precisam de suplementação pro leite especial, remédios caros pra refluxo, essas famílias também precisam de acompanhamento psicológico”, afirma.

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que não houve registro de cadastro no nome da criança na Farmácia Estadual para o fornecimento de leite tipo Neocate e Neoespon.

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