Ogovernador Mauro Mendes (DEM) voltou a defender a compra de doses da Sputnik V, vacina contra a Covid-19 produzida na Rússia, e disse que ainda espera autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O democrata citou os estudos do Instituto Gamaleya que apontam não haver efeitos colaterais com a vacina. Contudo, a Anvisa aponta que faltam dados sobre a segurança da Sputnik V em razão do tipo de vetor viral utilizado.

Mauro Mendes

O governador Mauro Mendes esteve em evento do auxílio emergencial estadual hoje

Mauro segue avaliando se o Estado vai entrar ou não com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para consegui autorização emergencial para uso dessas vacinas. De acordo com o governador, uma reunião técnica entre os procuradores dos Estados que formam o Consórcio da Amazônia, que inclui Mato Grosso, além de unidades da federação do Nordeste, tratou da questão. Mauro não disse se houve alguma nova resolução.

A Anvisa não deu autorização para importação da Sputnik V em reunião extraordinária na segunda (26). Em ações movidas por Bahia, Ceará, Amapá, Piauí e Maranhão, o STF tem decidido por um prazo de 30 dias para que a Anvisa autorize a importação dessa vacina pelos Estados. Mato Grosso negocia, pelo menos, 1,2 milhão de doses.

“Eu acho lamentável porque essa vacina está sendo utilizada em mais de 60 países ao redor do mundo. Aqui na Argentina, se não me engano, quase 7 milhões de argentinos já foram vacinados. Os resultados estão sendo acompanhados. A lei brasileira diz que 11 agências foram listadas, e se uma vacina tiver aprovação em uma delas seria suficiente para a agência adotar um rito extraordinário, rápido e célere. Infelizmente não foi adotado, eles buscaram muitos mecanismos, e eu como não sou profissional da área fica difícil contestar tecnicamente, mas o consórcio está fazendo isso, o grupo de governadores, tanto no campo jurídico quanto científico também”, declarou o governador.

Mauro lembrou que os governadores têm tido apoio do Instituto Gamaleya e do governo russo para apresentar os dados e justificativas para importação de maneira emergencial da vacina. Apesar de Mauro citar a eficácia da Sputnik V, esse percentual ainda não foi certificado no Brasil pela Anvisa.

“E a vacina Sputnik apresenta 91% de eficiência (sic). Maior que a CoronaVac, maior que a Astrazeneca, e é lamentável, é uma vacina que… estou dando o exemplo aqui da Argentina, próximo de nós, que está usando em larga escala essa vacina, e sem nenhuma notícia de qualquer problema

Mauro Mendes

“E a vacina Sputnik apresenta 91% de eficiência (sic). Maior que a CoronaVac, maior que a Astrazeneca, e é lamentável, é uma vacina que… estou dando o exemplo aqui da Argentina, próximo de nós, que está usando em larga escala essa vacina, e sem nenhuma notícia de qualquer problema. A Astrazeneca a gente escuta todo dia notícia de quem vacinou com ela de uma série de efeitos colaterais, não tem nada de morte, nada disso, mas com alguns efeitos logo após a vacina. Essa não tem esses relatos e nós estamos adotando todas as medidas necessárias para que a Anvisa faça essa aprovação, se não, nós vamos ao STF”, continuou.

O governador evitou fazer uma avaliação sobre a possibilidade de a decisão da Anvisa ter cunho político, em uma espécie de represália do Governo Federal comandado pelo presidente Jair Bolsonaro contra os chefes estaduais que se insurgiram contra ele. Mauro disse que não poderia “fazer esse julgamento”, mas reclamou que o Plano Nacional de Imunização (PNI) anda lento e que o Ministério da Saúde tem descumprido o cronograma de entrega das doses da CoronaVac e da Astrazeneca.

“Nós estamos indo atrás para ajudar. Seria muito tranquilo ficar aqui só criticando ou reclamando. Nós governadores estamos indo atrás tentando comprar vacina para ajudar o país, retomada da economia, salvar vidas, que é muito importante, acho que a coisa mais desejada neste momento em todo o Brasil é ter uma dose da vacina e recuperar a sua liberdade, o direito de ir e vir, poder abraçar, conviver com as pessoas, e retomar nossa vida com total normalidade”, defendeu.

 

Rodinei Crescêncio/Rdnews