Barraco improvisado onde trabalhadores moravam — Foto: MPT-MT

Por G1 MT

Os trabalhadores viviam em um barraco de lona construído no meio da mata, que não os protegia das chuvas nem dos animais peçonhentos. No local, também não havia energia elétrica e banheiro.

Uma das vítimas estava trabalhando no local há mais de sete meses. Já a outra há 10 dias.

Córrego era usado para banho por falta de banheiro no barraco improvisado — Foto: MPT-MT

Córrego era usado para banho por falta de banheiro no barraco improvisado — Foto: MPT-MT

De acordo com o MPT, o responsável pela propriedade contratou os idosos para trabalhar na retirada de vegetação e plantio de capim para formação da pastagem.

No entanto, precisando viver no local para continuar os trabalhos, foram submetidos a condições análogas à escravidão.
Idosos bebiam água de córrego quando vizinhos não forneciam — Foto: MPT-MT

Idosos bebiam água de córrego quando vizinhos não forneciam — Foto: MPT-MT

Conforme o relatório produzido pelos técnicos do MP, quando a bomba de água do local não funcionava, o que ocorria com frequência, os idosos tomavam banho no ‘Córrego das Onças’. Também faziam as necessidades fisiológicas no mato, a céu aberto.

A água que consumiam, quando não era cedida por funcionários da fazenda vizinha, vinha do mesmo córrego onde tomavam banho.

Camas improvisadas onde trabalhadores dormiam  — Foto: MPT-MT

Camas improvisadas onde trabalhadores dormiam — Foto: MPT-MT

As vítimas dormiam em camas improvisadas com colchões velhos e sujos sobre tábuas e toras de madeira, e se alimentavam no chão.

Segundo o MP, um dos idosos chegou a reclamar da qualidade da comida afirmando que emagreceu cerca de quatro quilos desde que entrou no trabalho. Ele também sofreu com um ataque de abelhas.

Ainda de acordo com o relatório, foi relatado aos fiscais da operação que os trabalhadores nunca tiraram folga.

Barraco era feito com lona e outros materiais improvisados — Foto: MPT-MT

Barraco era feito com lona e outros materiais improvisados — Foto: MPT-MT

Na última semana, segundo o MPT, foi feita a quitação das verbas rescisórias e das multas e o recolhimento do FGTS. Os empregadores também deverão arcar com multas decorrentes da lavratura de autos de infração.

Os responsáveis pelo local também assinaram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o MPT e assumiram, dentre as várias obrigações de fazer e não fazer, o compromisso de não submeter, direta ou indiretamente, empregados ou trabalhadores a situações análoga à de escravo.

O acordo estabeleceu multa de R$ 5 mil para cada cláusula descumprida, devida a cada constatação de irregularidade. Os empregadores ainda se comprometeram a pagar indenizações por danos morais individuais e por danos morais coletivos.

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