Economista fala sobre impactos da pandemia para empresários em MT — Foto: Reprodução

Por G1 MT

Após um ano de pandemia e mais de 300 mil infectados pela Covid-19 em Mato Grosso, ainda há muitas incertezas sobre o futuro, inclusive para os empresários, que têm sido atingidos pela crise e precisam tomar decisões diante dos desafios criados pelo coronavírus. Contudo, o economista Michel Angelo Constantino avalia que há formas de retomar os negócios desde que os empresários comecem a olhar para o mercado e para novas estratégias.

Segundo Michel, o comerciante deve estar de olho para formar estratégias de comunicação e marketing para atender a demanda do novo mercado nos próximos três meses.

O profissional pondera que a vacinação contra a Covid-19 é o primeiro passo para que Mato Grosso volte a ser uma das maiores potências econômicas do país.

“Acredito que seja o principal elemento neste momento de crise. Com as doses que estão chegando, em três meses deve ser triplicado o número de pessoas vacinadas. Isso mostra um resultado positivo, porque hoje o estado que mais está vacinando é o Amazonas e lá já há um efeito, com a redução do número de internados. Isso mostra que vacinar dá certo”, destaca o especialista.

Ele também afirma que após um período difícil, com a restrição de circulação de pessoas e, consequentemente, redução da economia, um novo tempo vai começar, com a abertura do comércio, de escolas, a exemplo do que tem acontecido no Amazonas.

“As empresas vão passar por esse período ruim, mas depois disso há uma luz. Vamos ter a ajuda do governo para a população, então volta o consumo. Teremos benefícios locais em Mato Grosso, além dos benefícios federais”, salienta.

O melhor está por vir

Para o analista técnico do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Fábio Apolinário, a pandemia também serviu para que muitas pessoas tirassem o sonho de abrir o próprio negócio da gaveta.

“Um dos principais fatores foi o fato de muitas pessoas terem perdido o emprego. Na pandemia, a redução de carga horária e suspensão de contratos fez com que pessoas ficassem desempregadas e buscassem uma fonte alternativa de renda. Elas tiram do papel aquele velho sonho que tinham e montam uma nova empresa. Outro aspecto que favoreceu foi o fato do governo ter mantido um auxílio emergencial que manteve uma demanda. Ou seja, você tinha pessoas com renda, que poderiam consumir”, diz.

Ele ainda dá dicas sobre como o novo empreendedor deve se comportar no mercado.

“O empresário precisa se identificar com aquilo que ele vai fazer. Aí ele vai analisar aspectos mercadológicos. É interessante que o empresário faça um plano de negócios, que é verificar quanto que esse negócio vai dar de receita, quando que vai equilibrar, são vários pontos que devem ser analisados”, afirma.

Além disso, segundo Michel, duas questões importantes estão em processo: a manutenção do emprego e a diminuição do dólar, que gradativamente vai diminuir nos próximos três meses, e que também deve trazer reflexos para os combustíveis.

Ajuda do governo

No ano passado o governo federal destinou o auxílio renda para mais 60 milhões de brasileiros, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Covid-19, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mais de 30% da população saiu da extrema pobreza com esse auxílio.

Esse resultado resultou em maior demanda para as empresas. Além disso, o governo permitiu garantir empregos com as medidas de ajuda no pagamento parcial de salários e negociação de regime trabalhista.

Essas ações injetaram quase R$ 500 bilhões na economia em 2020, e agora o governo e o legislativo aprovaram a PEC emergencial, que também vai destinar um novo auxílio com aporte de R$ 44 bilhões, e, além disso, liberação do FGTS e 13º de aposentados prevê mais R$ 40 bilhões na economia brasileira.

Além do governo federal, um estímulo importante para a economia local, é a renda extra que estados e municípios estão planejando para compensar os efeitos das restrições de circulação e adiantamento de feriados.

Em Mato Grosso, o chamado “Programa Ser Família Emergencial” que destinará mais de R$ 45 milhões, com recursos de R$ 35 milhões dos cofres do estado e R$ 10 milhões do Legislativo. Além dessa injeção de renda para as famílias, o governo de MT anunciou a liberação de R$ 55 milhões em créditos para as empresas, principalmente, os micro e pequenos negócios. Os empréstimos serão feitos por meio da Agência de Fomento Desenvolve MT.

Pesquisas mostram que de R$100 vindos de auxílio, R$ 25 foram usados para aquisição de bens como eletrodomésticos, móveis ou ainda roupa e serviços, e R$ 75 foram usados para compras de bens essenciais, dívidas em atraso ou itens do dia a dia.

Atenção ao novo mercado

“O empresário deve prestar atenção agora em organizar gerencialmente a sua empresa, fazer investimentos de comunicação, para que os consumidores que vão pegar este dinheiro, que voltam a consumir, estejam lembrando deles”, explica Fábio.

A comunicação no mercado que cada empresário reside deve ser mostrada para a população, como o atendimento por delivery, presencialmente, de forma segura, aparecendo também nas redes sociais.

Isso é muito importante, porque os consumidores vão lembrar das empresas que mais aparecem.

“É hora de gerenciar isso para poder atender esse novo consumo que vem com essas modificações, com o auxílio, com redução de custos, com a manutenção do emprego. Tudo isso colabora para que as pessoas gastem mais e as empresas têm que estar de olho para atender esse novo consumo”.

Segundo ele, a sociedade já passou por várias crises, as empresas estão acostumadas a ter momentos de aumento das vendas e momentos de trabalhar para somente conseguir pagar as contas.

“O empresário acorda toda manhã, para abrir suas portas de metal e suas portas digitais com olhar para o presente, o hoje, onde acontecem as negociações, planejamento, vendas, compras, pechincha e fazem isso com muita automotivação e resiliência”.

O empreender é o principal motor da economia, pois, dele vem o emprego e renda para população, o pagamento de impostos, a aquisição de investimentos via pagamento de juros, a veia de alimentação de toda uma cadeia produtiva que permite que seu bairro, sua cidade e país possa se desenvolver.

O empreendedor que melhor se posicionar e elaborar uma estratégia de marketing e comunicação eficiente, irá capturar esta demanda de consumo dada a previsão dos auxílios. Quem fizer a ação primeiro será lembrado e é fundamental estar na mente do cliente quando ele tiver a intenção de comprar o produto ou serviço. Se você não fizer, seu concorrente poderá fazê-lo.

Perspectivas

Conforme Júnior Vidotti, diretor da Fecomércio-MT, ainda há um cenário de incertezas quanto ao futuro.

“O comércio, principalmente o setor de moda, sofremos bastante com o lockdown e estamos sofrendo com o poder econômico do povo, que tem diminuído, e a gente tem tido um pouco menos de lucro do que nos anos retrasados. A nossa perspectiva seria que a pandemia já estivesse sob controle e que o poder público já tivesse adotado as medidas necessárias, como melhor estrutura hospitalar, vacinação, o tratamento precoce. São coisas que a gente não vê acontecendo e estamos na iminência de um novo lockdown, que vai prejudicar as empresas e os empregos, os trabalhadores. Que já estão enfraquecidos por causa da pandemia. Isso cria um cenário de incertezas para os próximos meses, que aliado ao poder de compra faz com que a gente tenha uma probabilidade maior de inadimplência, além de perdermos vendas.