Ao defender o retorno das aulas durante a pandemia de Covid-19, que já matou quase 8,9 mil pessoas em Mato Grosso, o deputado estadual Wilson Santos (PSDB) criticou o que chamou de “excesso de proteção” mesmo diante da gravidade da doença. Ex-professor de história, ele ainda comparou a crise atual com uma epidemia de varíola mais de 130 anos atrás que matou mais da metade da população de Cuiabá e que os sobreviventes “não se entregaram”. Assista vídeo no final da máteria.

Fablicio Rodrigues

Wilson Santos

Wilson comparou Covid com mortes de trânsito ao falar de “novo normal”

“Temos que se adaptar ao novo normal, e o novo normal nos leva a conviver com doenças, trânsito violento, com mundo violento, a maldade e a perversidade. Dom Aquino dizia: o mundo é mau. Então, não adianta querer proteger excessivamente quem quer que seja, porque quando você partir, essa pessoa vai estar completamente sem anticorpos para enfrentar”, disse na tribuna da Assembleia na última quarta (14).

A fala polêmica foi na sessão na qual a AL aprovou o Projeto de Lei nº 21/2021, de Elizeu Nascimento (PSL), que torna atividades educacionais, escolares e afins como essenciais. Na prática, o PL permite a retomada das aulas presenciais mesmo com risco de alta contaminação pela Covid-19.

O governador Mauro Mendes (DEM) chegou a sinalizar na semana passada que não sancionaria o PL, mas o cenário pode ter mudado ao anunciar a vacinação dos profissionais da educação, que deve ocorrer após serem imunizadas as forças de segurança.

Temos que se adaptar ao novo normal, e o novo normal nos leva a conviver com doenças, trânsito violento, com mundo violento, a maldade e a perversidade

Deputado Wilson Santos

No projeto aprovado, o retorno das aulas presenciais ficou condicionado à vacinação dos profissionais que compõem a rede. “O homem, se ele fosse ficar em casa esperando acabar os homicídios do Brasil, são mais de 40 mil assassinatos por ano e ele não sairia mais de casa. Se ele fosse ficar em casa esperando terminar os acidentes de carro e mortes no trânsito são 65 mil mortos e ninguém compraria carro”, comparou Wilson.

Ao citar as crises da varíola, em 1987, e a gripe espanhola, de 1918, o parlamentar considerou que a população deve se inspirar nas situações do século passado para lidar com a crise atual.

“A mesma coisa, depois da Covid-19, vem a Covid-20, depois a 21, 22, 23, faz parte. Em 1887 teve aqui uma pandemia de varíola em Cuiabá e matou 50% dos cuiabanos. Tínhamos 12 mil habitantes, 6 mil morreram. Mas a vida continuou, os que sobreviveram tocaram em frente”.

Ele ainda finalizou seu discurso relembrando que “naquele tempo não existia IML, nada, os corpos eram deixados na calçada, apodreciam, as carroças que passavam para levar, era uma fedentina, caindo perna de um lado, braço de outro. Mas os cuiabanos não se entregaram, continuamos trabalhando, olha o tamanho da cidade que virou”, concluiu.