Hospital Regional de Sinop passa por reforma — Foto: Jean Alencar/Secom-MT

Por Kethlyn Moraes, G1 MT

Ainda segundo o documento, o observatório recebeu diversas denúncias feitas por médicos e servidores das UTIs sobre falha nas condições de trabalho, incluindo falta de equipamentos básicos para o enfrentamento à pandemia.

G1 entrou em contato com a Secretaria Estadual de Saúde e aguarda o posicionamento posicionamento sobre as denúncias que constam no relatório.

O Observatório Social já vinha acompanhando os contratos de gerenciamento de UTI firmados pelo governo estadual há mais de um ano, o que permitiu uma melhor análise.

Segundo a organização, as falhas no gerenciamento das UTIs vem acontecendo desde 2019 e se intensificou com a pandemia. Os dados analisados foram obtidos diretamente com o estado e cruzados com informações do Ministério da Saúde.

Os gráficos apresentados no documento mostram que, no Hospital Regional de Sinop, a partir de outubro, a taxa de cura em pacientes com coronavírus caiu para 0 e a mortalidade foi para 100%.

Gráfico mostra taxa de mortalidade nas UTIs para Covid-19 de Sinop — Foto: Observatório Social de MT

Já nos outros hospitais de Mato Grosso, no mesmo período, a taxa de mortalidade dos pacientes internados com Covid-19 nas UTIs ficou entre 70% e 80% e taxa de cura variou entre 20% e 30%.

Taxa de mortalidade de pacientes com Covid-19 em Hospital de Sinop — Foto: Observatório Social de MT

Taxa de mortalidade de pacientes com Covid-19 em Hospital de Sinop — Foto: Observatório Social de MT

O observatório informou também que o secretário estadual de Saúde foi alertado sobre o problema nas UTIs em setembro de 2019, e novamente questionado em ação judicial para anular licitação com a empresa que administra os leitos, em junho de 2020.

A instituição questiona os contratos.Na análise dos processos de pagamento, segundo o observatório, foi possível constatar algumas falhas, como:

  • UTI em funcionamento sem registro de responsabilidade técnica no Conselho Regional de Medicina;
  • Médicos sem qualificação técnica adequada, isto é, sem especialidade em medicina intensiva registrada no CRM, e sem o mínimo de três cursos dentre os 27 oferecidos pela Associação de Médica Intesiva Brasileira (Amib), em desconformidade com a legislação;
  • Realização de plantões seguidos. Além de não possuirem qualificação técnica mínima para atuação em UTIs, vislumbrou-se em diversas ocasiões plantões médicos de 60 horas ou mais, até 120 horas;
  • Falta de insumos e equipamentos mínimos necessários para o funcionamento da UTI;
  • Alta taxa de mortalidade nas UTIs de tratamento de pacientes acometidos pela Covid-19;

“Essa forma de pagamento não comporta o gerenciamento de leitos de UTI vagos, isto é, leitos não utilizados. Dessa forma, a contratada é premiada por recusar pacientes, já que seus custos diminuem e a remuneração permanece a mesma”, diz outro trecho do estudo.

Na ocasião o Observatório emitiu uma notificação extrajudicial ao governador recomendando que a SES gerisse diretamente todas as UTIs em hospitais regionais, sob pena de representação às autoridades para responsabilização criminal pelas mortes que ocorressem por falta de assistência de médico intensivista, falta de medicamentos e de equipamentos que tais empresas deixem de fornecer.

O observatório apontou também que, dos três médicos atuantes na unidade, nenhum era especialista em medicina intensiva.

“Então notificamos o governador pedindo que incluísse um médico intensivista altamente qualificado e voluntário do Observatório nessa comissão. No dia 13 de janeiro recebemos a resposta recusando a ajuda tendo em vista que a comissão já está em andamento”, afirma outro trecho.

Ainda segundo o observatório, não há resposta dos motivos da alta mortalidade, já que a comissão aberta para apurar a denúncia apresentada não produziu relatório.

“Também solicitamos que seja incluído no Boletim Epidemiológico do estado os indicadores de mortalidade nas clínicas e UTIs do estado, para que o cidadão tenha o direito de buscar os hospitais com maior sobrevivência”, diz a instituição.

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