Por G1 MT

A autora do disparo, uma garota de 15 anos, responde a um processo que tramita em sigilo e, os pais dela, foram denunciados na última semana à Justiça.

Isabele Guimarães Rosa, de 14 anos, morreu ao ser atingida por tiro na cabeça no condomínio Alphaville, em Cuiabá — Foto: Instagram/Reprodução

Isabele Guimarães Rosa, de 14 anos, morreu ao ser atingida por tiro na cabeça no condomínio Alphaville, em Cuiabá — Foto: Instagram/Reprodução

Nesta semana, a mãe da adolescente, Patrícia Hellen Guimarães Ramos, declarou que ‘a garota que matou a minha filha não atirou sozinha’.

A arma usada no crime estava sob os cuidados do pai dela. O empresário foi denunciado por posse ilegal de armas de fogo. O revólver foi levado para o local pelo namorado da atiradora.

Além de entrega de arma a menor, os pais também foram denunciados pelos crimes de fraude processual, por suposta alteração na cena do crime, e corrupção de menores.

Aniversário

 

Patrícia Ramos e a filha, Isabele, morta com um tiro na cabeça, em Cuiabá — Foto: TV Globo

Patrícia Ramos e a filha, Isabele, morta com um tiro na cabeça, em Cuiabá — Foto: TV Globo

Na semana em que a morte de Isabele completa quatro meses, ela completaria 15 anos de vida.

“Isso pra mim é muito triste, mais triste ainda porque a minha filha era uma garota cheia de vida, cheia de sonhos. Isso tem sido parte de um processo muito doloroso”, lamentou a mãe.

A morte de Isabele ocorreu no dia 12 de julho em um condomínio de luxo no bairro Jardim Itália.

O ex-advogado da família da adolescente que efetuou o disparo explicou, à época, que o pai da autora do tiro acidental estava na parte inferior e pediu para que a filha guardasse a arma no andar superior, onde estava Isabele.

A adolescente pegou o case – uma maleta onde estavam duas armas – e subiu obedecendo ao pai. Apesar de estar guardada, a arma estava carregada.

Isabele Guimarães Ramos, de 14 anos, que morreu ao ser atingida por um tiro acidental na cabeça, feito por uma amiga — Foto: Instagram/Reprodução

Isabele Guimarães Ramos, de 14 anos, que morreu ao ser atingida por um tiro acidental na cabeça, feito por uma amiga — Foto: Instagram/Reprodução

A mãe de Isabele, Patrícia, afirmou que estava em casa quando foi chamada pela mãe da menina. Segundo Patrícia, ao chegar no local do crime, encontrou a filha no banheiro e já sem vida.

A adolescente que atirou chegou a ser detida em uma unidade socioeducativa, mas foi liberada para por meio de um habeas corpus um dia depois da internação.

Praticante de tiro

As duas famílias, a da adolescente que disparou, e a do namorado dela, praticam tiro esportivo, de acordo com a investigação da polícia.A Federação de Tiro de Mato Grosso (FTMT) disse que a adolescente que matou a amiga é praticante de tiro esportivo há pelo menos três anos.

Segundo a federação, o pai e a menina participavam das aulas e de campeonatos há três anos. Os nomes deles constam nos grupos, chamados ‘squads’, que participavam das competições da FTMT. Outros membros da família também participavam desses grupos e praticam o esporte.

O advogado da família contestou a informação e afirmou que a adolescente praticava o esporte há apenas três meses.

 

Laudo da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) apontou que a pessoa que matou Isabele estava com a arma apontada para o rosto da vítima, a uma distância que pode variar entre 20 e 30 cm, e a 1,44m de altura.

Conforme o documento da Politec, Isabele encontrava-se no banheiro da suíte que fica no andar superior da casa da amiga. Ainda segundo a perícia, em dado momento o autor do disparo também entrou no banheiro, na parte esquerda, com a pistola apontada para a face da vítima, e efetuou disparo acionando o gatilho.

De acordo com o laudo da Politec, a arma de fogo utilizada não pode produzir tiro acidental. Nas circunstâncias alegadas constantes do termo de declarações da adolescente, a arma de fogo, da forma como foi recebida pela perícia, somente se mostrou capaz de realizar disparo e produzir tiro estando carregada (cartucho de munição inserido na câmara de carregamento do cano), engatilhada, destravada e mediante o acionamento do gatilho.

“Quando a equipe do Samu chegou na casa, havia apetrechos de armas em cima da mesa e ele pediu para que a mulher guardasse. Isso não poderia ter sido alterado”, disse o delegado Wagner Bassi, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que conduziu a investigação.

A cápsula da bala que atingiu a adolescente na cabeça também foi movimentada depois do crime pelo filho dele, que é irmão gêmeo da adolescente que atirou, o que pode ter atrapalhado a investigação.

Reconstituição da morte de Isabele Ramos aconteceu nessa terça-feira (18) — Foto: Polícia Civil

Reconstituição da morte de Isabele Ramos aconteceu nessa terça-feira (18) — Foto: Polícia Civil

Reconstituição

A reconstituição da morte de Isabele foi feita nos dias 18 e 19 de agosto, na casa da menina que atirou. O processo durou sete horas, e a adolescente não participou. A defesa alegou que ela não está em condições psicológicas de participar.

Foram reproduzidos todos os movimentos realizados pelos envolvidos no caso para apontar a compatibilidade das versões apresentadas na investigação. A simulação foi feita com três disparos.

A reprodução também contou com um grupo de 41 profissionais entre investigadores, escrivães, delegados e peritos.

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