Anomalia causa prejuízos — Foto: Alexandre Perassoli/TVCA

Por Bruno Bortolozo, TV Centro América

A anomalia faz com que a vagem da soja fique com uma cor escura e os grãos não se desenvolvam como deveria. Em alguns casos, três de quatro grãos de uma vagem podem ficar danificados.

O produtor Loinir Gatto teve 37% de perda na produtividade em comparação com a safra passada. Ele possui uma fazenda de 110 hectares de área irrigada que fica em Ipiranga do Norte e conta que o mesmo problema já foi identificado em áreas sem os pivôs de irrigação.

“Isso é mais perceptível após 80 dias, mas se procurarmos na lavoura com 60, 65 dias é encontrado bastante vagem afetada. Em uma área eu estimo que tem até 30% de vagens que foram afetadas, mas não quer dizer que vai perder 100% dos grãos dentro desses 30% de vagem”, afirma.

Loinir explica que no ano passado conseguiu colher 70 sacas de soja e que se esse ano conseguir pelo menos 55 sacos já estará satisfeito, devido às perdas.

Produtor mostra vagem  — Foto: Alexandre Perassoli/TVCA

Produtor mostra vagem — Foto: Alexandre Perassoli/TVCA

Apesar de ser um problema desconhecido para a maioria dos produtores, a Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa) já acompanha a anomalia desde a safra de 2018, como explica a pesquisadora Dulândula Wruk.

“Temos acompanhado relatos de ocorrência de apodrecimento da vagem na parte mais baixa da planta a partir da fase de enchimento de grãos. Quando a gente observa a vagem, ela tem o apodrecimento e quando faz o isolamento dessas lesões nós encontramos fungos. São fungos que estão presentes nas lavouras e estão ali como oportunistas”, afirma.

A pesquisadora explica que há uma falha quando o manejo químico ou físico do solo não desenvolveu bem as raízes e que as plantas nessa área tendem a apresentar esses sintomas com uma maior intensidade do que nas áreas que tem o manejo mais próximo do ideal.

Além disso há o fator abiótico de estresse hídrico junto com alta temperatura. Esses fatores predispõem a planta de uma forma que favoreça esses fungos e facilitem essas lesões.

A pesquisadora ainda dá dicas de como o produtor pode evitar que a produção seja perdida.

“Na parte de clima não tem muito o que o produtor fazer, ele pode tentar um escape e não antecipar muito plantio. Além de fazer o manejo químico e físico do solo de forma que favoreça um bom crescimento para que a planta consiga suportar melhor um estresse hídrico. Fazer o manejo robusto de fungicidas específicos focando de maneira geral doenças que já ocorrem na lavoura e tentando proteger melhor a planta contra esses patógenos oportunistas que estão no solo”, afirma.

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